Salmo 91, versículo 11

A promessa dos anjos é a mais citada do salmo — citada até pelo diabo, que a usou no deserto contra Jesus. Por isso mesmo é a que mais precisa ser lida por inteiro.

Salmo 91:11 · Almeida Revista e Corrigida Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.

Uma guarda pessoal, com uma condição

Matthew Henry se demorou no quanto essa incumbência é pessoal: ela se estende não apenas sobre a igreja em geral, mas sobre cada crente em particular. Mas o versículo carrega a sua própria cláusula — os anjos guardam o fiel em seus caminhos, o que Henry glosou como enquanto te mantiveres no caminho do teu dever. A promessa acompanha quem anda; não escolta quem se atira.

A palavra que o diabo cortou

Em Mateus 4, o tentador citou este versículo para sugerir um salto do pináculo do templo. E Henry notou o detalhe que dá fio à cena: a cláusula limitadora é exatamente o que o diabo deixou de fora quando citou a promessa para reforçar uma tentação, sabendo o quanto ela pesava contra ele. Cortar a condição transforma proteção em presunção — e o abuso, insistiu Henry, não estraga a promessa para quem a usa inteira.

O versículo seguinte completa a imagem

Salmo 91:12 · Almeida Revista e Corrigida Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.

O sustentar nas mãos, Henry comparou a toda a ternura e afeição com que a ama carrega a criancinha nos braços — uma imagem que, no resumo dele, nos declara desamparados, e a eles, prestativos. É proteção de colo, não de muralha: próxima, atenta, desproporcional à nossa força.

O contexto completo dos versículos 9 a 13 está no comentário do salmo; para transformar a promessa em petição, veja a oração do Salmo 91.